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O SISTEMA FONOLÓGICO

 

Os quadros seguintes apresentam o sistema fonológico do ST.

 

QUADRO I

CONSOANTES[1]

 

Labiais

Lábio-dentais

Alveolares

Palatais

Velares

Oclusivas

p    

 

t     d

 

k     g

Fricativas

 

f     v

s     z

S     Z

 

Africadas

 

 

 

tS    dZ

 

Nasais[2]

m

 

n

ø

 

Laterais

 

 

l

λ

 

Vibrante[3]

 

 

r

 

 

Batimento[4]

 

 

R

 

 

 

 

QUADRO II

VOGAIS[5]  e GLIDES

 

Anterior

Central

Recuado

Altas

i     j (glide)

 

u     w (glide)

Médias

e

 

o

Médias-Baixas

E

 



Baixas

 

a

 

 

 

 

Quanto às consoantes líquidas, o ST originalmente apenas apresenta a lateral /l/, não fazendo o fonema /r/ parte do seu inventário fonológico. Com efeito, Ferraz (1979) não inclui a vibrante alvelolar múltipla /r/ e batimento alveolar simples /R/ no sistema fonológico. Lorenzino (1998), por sua vez, já inclui o segmento /r/ no sistema fonológico.

 

Uma vez que ambos os autores apresentam exemplos de palavras em que estes segmentos ocorrem, e tendo em conta que o largo período de tempo que medeia estes dois trabalhos joga a favor de uma crescente influência do português, sendo cada vez em maior número as palavras que entram no ST por via de empréstimos, optei por incluir estes segmentos no elenco das consoantes do ST.

 

Quanto ao sistema vocálico o ST têm sete vogais orais e cinco vogais não nasais. As únicas vogais que não têm uma contrapartida nasal são /E/ e //.

 

Em algumas palavras que constam tanto em Ferraz (1979) como em Lorenzino (1998) verifica-se frequentemente a alternância entre /e/~/E/ e /o/~//, aparecendo a mesma palavra indiscriminadamente com um ou outro segmento. Tendo estes autores optado por um conjunto de traços não binários e com quatro graus de abertura vocálica, é muito provável que sendo a margem de segurança entre as vogais médias e médias-baixas muito pequena, os falantes as utilizem livremente.

 

Saber se as glides /j/ e /w/ são semi-vogais ou semi-consoantes é uma coisa que só será possível fazendo uma análise profunda da estrutura silábica em ST. Como todos os crioulos, também em ST a sílaba mais comum é do tipo CV. Por outro lado, na incorporação do léxico português verificou-se a monotongação dos núcleos complexos, o que tem como consequência a existência de muito poucos ditongos em ST.

 

O acento em ST é um assunto ao qual apenas Ferraz (1979) dedica algumas linhas, e para dizer que geralmente é mantido o acento da palavra base, sendo que nos verbos o lugar do acento pode variar: se o verbo estiver seguido de um complemento cai na penúltima sílaba, se o verbo não estiver seguido de um complemento cai na última sílaba.

 

Assim, as palavras constantes do “Léxico São Tomense-Português” são acentuadas na penúltima sílaba se forem substantivos ou adjectivos, e na última sílaba se forem verbos. Mantendo o acento da palavra base temos que considerar que a nasalidade em final de palavra é acentuada, e que uma vogal aberta é acentuada por oposição a uma vogal fechada. Não é relevante em ST a ocorrência de palavras terminadas em consoante. Apenas são  utilizados diacríticos nos casos que não obedecem a estes pressupostos.



[1] Quando os símbolos ocorrem em pares, o símbolo da direita representa uma consoante vozeada.

[2] As consoantes nasais são geralmente homorgânicas, logo /m/ e /n/ adquirem o ponto de articulação da consoante seguinte, realizando-se como [m]~[n]~[N].

[3] Este segmento apenas ocorre em variantes marginais de recente introdução em ST.

[4] idem.

[5] Apenas as voagais médias-baixas /E/ e // não têm contrapartida nasal.